Neste momento sinto-me bem.
Apetece-me ir lá fora e, nesta noite quente de Verão, admirar as estrelas. Algumas delas caem e criam a ilusão de mágicas purpurinas sobre aquele que continua a ser o maior mistério da Humanidade: o céu!
Levanto-me do sofá, chamo o meu cão e vou.
Vou na esperança de que aquele cenário ainda me possa trazer mais alegria do que aquela que já tenho.
Saio e respiro aquele que imaginei como ar puro... Respiro cheia de vontade, bem fundo. Os meus pulmões incham como se fossem balões de ar quente...
Mas...
Acabo de respirar e imediatamente começo a tossir.
O meu cão tem a mesma reacção.
Olho para o céu. Nem uma estrela visível.
O pobre animal assusta-se pois acaba de sentir uma fagulha no seu focinho.
Está tudo cheio de fumo. Nuvens de fumo tão altas que criam a sensação de um vulcão que acabou de entrar em erupção.
A Lua, que hoje está cheia, perdeu a sua cor natural, para passar a ter tons alaranjados.
A música de fundo, que costumava ser a de modestos grilos e de um mocho algures perdido por entre o arvoredo, hoje não se ouve.
No seu lugar está o som dos auto-tanques dos bombeiros.
No céu, onde a cor predominante deveria ser o azul-escuro, está, agora, com um tom avermelhado... Vermelho de fogo...!
Começo a entristecer-me... Começo a imaginar que poderia ser eu a ter que arriscar a minha vida para apagar fogos que foram estúpida e propositadamente provocados por monstros transfigurados em pessoas.
Definitivamente não deveria ter vindo cá fora...
Já perdi a alegria toda...
2 comentários:
simplesmente fantástico este teu texto. Não sabia que tinha uma amiga que tem estes rasgos de inspiração para escrever textos excelentes como este.
muito bom o texto andreia dos melhores que ja escrveste continua assim e ainda vou ter uma irma escritora
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