quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A noite

Tenho o meu corpo abandonado de sono mas a alma preenchida de inspiração.
Sentada à janela do meu quarto e na companhia do luar incessante da Lua em Quarto-Minguante que habita os céus desta noite fresca de inícios de Setembro, ouço a voz do Silêncio.
É uma voz ensurdecedora que provoca em mim uma panóplia de emoções...
Amor? Saudade? Amargura? Felicidade?
O vento, que corre frio mas suave, beija-me a pele e envolve-me o corpo como se se tratasse de um daqueles abraços que só eu conheço... Daqueles que saem de dentro do nosso ser sem que possam ser controlados...
É esse mesmo vento que sussurra às árvores coisas que eu não sei o que são mas que mexe com elas... As suas folhagens mexem sem cansaço... Ou, também elas, se sentem acariciadas pelos seus beijos... Frios, mas que aquecem...
As estrelas, bem lá encima, provocam-me arrepios na espinha... Porquê? Porque têm exactamente o mesmo brilhar dos olhos das pessoas que mais amo...
Não sei quem foi que disse que o silêncio e a noite não são boa companhia... Mas quem quer que tivesse sido enganou-se completamente...
São ambos motivo de rasgos de inspiração que não consigo controlar...
É a minha alma a ditar o que os meus dedos escrevem... Sou apenas um corpo que serve de meio para o meu íntimo olhar em seu redor...
Já dei alguns motivos que demonstram que a noite e seus complementos podem ser a companhia perfeita, e até daria mais... Mas o Mocho que vive no Carvalho enfrente está, neste momento, a dizer-me para ir dormir...
Os seus conselhos para mim são ordens... 
E, enquanto eu me preparo para cerrar as pálpebras, ele recita que "se tu achas que a noite é um mistério, então mergulha no mundo dos sonhos e serás surpreendida por um mundo que é só teu...!"

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