quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Uma vida... Mil Lágrimas... Um milhão de sorrisos...

Era uma vez um espermatozóide. 
Não. Não me refiro a um espermatozóide qualquer. Refiro-me, sim, àquele que foi o mais forte, potente e perspicaz de todo o grupo. Um grupo formado por milhares de milhões de outros espermatozóides iguais entre si.
Esse espermatozóide entrou num óvulo e desde logo começaram a trabalhar em conjunto.
Durante 9 meses, sem qualquer tipo de pausa, trabalharam incansavelmente na criação de um ser.
Na manhã da fria Terça-Feira, dia 26 do mês de Fevereiro, do já longínquo ano de 1991, nasce, com 53cm e cerca de 3 kg, o resultado de 9 meses de luta intensa de dois "seres" minúsculos: Andreia Filipa Pereira Fernandes, de seu nome. A única menina da família.
Segundo descreve a progenitora, a equipa especializada que colaborou no trabalho de parto ficou abismada com tal criatura e disse "Parabéns aos pais! Têm aqui uma bela rapariga! Há muito tempo que não nascia por aqui uma bebé tão linda!"
Foi crescendo saudável. Teve uma infância feliz com tudo ao que uma criança tem direito.
Eram raras as vezes que não aparecia com mais uma nódoa negra nas pernas ou mais uma arranhadela nos braços, oriundos de subidas a árvores, postes, redes, andar de bicicleta sem mãos, ir brincar para o monte... Enfim, tudo o que uma criança feliz faz.
Com 6 anos entra na escola primária.
Sempre foi uma criança inteligente e muito comunicativa, embora os primeiros tempos lhe tivessem custado isto porque estava habituada a brincar com os amiguinhos na rua, e o facto de estar todo o dia fechada numa sala a ver o seu "habitat natural" pela janela não era fácil. Mas nada que em duas semanas não passasse.
Nunca gostou muito da sua turma. Eram, quase todos, demasiado "chiques" para aquilo que ela estava acostumada. 
Que impressão lhe causava quando algum dos seus coleguinhas não emprestava alguma caneta de pintar ou até quando alguma menina dizia "Ai! Eu quero aquele Nenuco assim e assado...!" quando ela e os seus amigos brincavam com bonecas sem cabeça ou membros e divertiam-se à grande.
No entanto, teve essa turma nos anos que se seguiram. Sempre se deu com as pessoas "do povo". As pessoas mais autênticas, as mais verdadeiras e genuínas.
O melhor da sua infância eram, sem dúvida, os Verões. Era a sua alegria poder brincar com todos os seus amigos de manhã até à noite, sem mostrar o mínimo cansaço e, melhor do que isso, era ir para as festas de Monção. 
Sempre que o Verão acabava sentia um vazio tremendo, pois sabia que já não tinha tempo para brincar com o seu grupinho e que tinha de estar, durante mais um ano lectivo, inserida no meio de meninos de quem ela não gostava muito.
Foi assim até ao seu 6º ano.
No 7º ano mudou de turma. E foi a melhor coisa que lhe podia ter acontecido. E porquê? Porque foi para um conjunto onde todos eram iguais. Todos eram "gente do povo". Todos se davam bem.
Foi mesmo nesse ano, com 12 anos, que teve a sua primeira paixoneta a sério. Paixoneta essa que durou até ao 9º ano!!!
Quando tinha acabado de completar 13 anos, começou a aprender Clarinete com aquele professor que a marcou para a vida, David Piñeiro, na Banda Musical de Monção. 
Estudava que se fartava...! O objectivo dela era entrar para a Banda no concerto de Natal. Objectivo que foi mais do que cumprido, pois entrou para lá em Outubro desse mesmo ano.
Ainda com 13 anos, mais concretamente a 10 de Julho de 2005, acordou mal-disposta. Meia esquisita e só lhe apetecia chorar e estar sozinha. Os pais acharam estranho mas ela preferia não dizer nada, até porque nem ela sabia o que se passava. Pela tarde, estava ela a ver TV com a família e sente que algo estranho tinha saído de si. Foi, horrorizada, a correr para a casa de banho. E eis que, para seu horror, lhe tinha vindo, pela primeira vez, o período. 
Coisa normal... Estava na puberdade.
Passou-se o 7º ano... O 8º ano... E chegamos ao Verão de 2005. Tinha tudo para ser o melhor Verão de sempre, e tudo porque seria o seu primeiro Verão na Banda e estava desejosa por entrar na rotina das festas da Banda. Mas houve duas nuances...: a primeira é que foi um ano terrivelmente mau de festas para a Banda; a segunda é que, no dia 27 de Julho, perdeu o seu avô paterno. Avô esse que ela tanto amava...
Com 14 anos entra com o pé direito no 9º ano. Este sim, foi o ano de todas as mudanças. Para além de se ter destacado como sendo das melhores alunas da escola, passou de patinho feio a cisne.
Em Dezembro de 2005 a sua vida e da sua família começou a afundar-se. A saúde do pai estava cada vez mais fragilizada. A ida para o hospital com o progenitor passou a ser uma constante. Apesar de tudo, ela nunca se deixou abater. 
Cada vez tinha melhores notas e era ela que tinha de dar apoio a toda a família. Ficando mesmo a encontrar nos amigos o seu único refúgio.
A 9 de Abril de 2006 deixou de ser a única menina da família. Nesse dia nascera-lhe a primeira prima (pelo lado do pai). No início sentiu um confesso ciúme, mas desde logo aquele ser se tornou a luz dos seus olhos.
A 8 de Junho desse mesmo ano dá-se a perda do pai, e com isto toda a reviravolta da sua vida.
A família completamente zangada e separada; as dificuldades económicas; a depressão da mãe e o desgaste do irmão; e toda uma panóplia de más vibrações que nunca mais acabou.
Os amigos sempre foram o apoio desta adolescente que, agora com 15 anos, já se sentia mais madura do que muitos adultos.
No mês que se seguiu fez, pela primeira vez, provas para a Escola Profissional de Música de Viana do Castelo mas não logrou entrar. Não desesperou por isso.
As festas da Banda sempre a ajudavam a abstrair-se e a ganhar algum dinheiro para as suas próprias despesas e para ajudar em casa.
Em Setembro vai para a Escola Secundária. Mais um ano com boas notas, apesar de poderem ter sido muito melhores.
Em 2007 tem o seu primeiro namorado, tinha, agora, 16 anos.
Em 2008 dá-se toda a quebra na sua vida. Vai viver com a mãe para Viana e deixa todo o seu mundo para trás. Desde o princípio que as coisas não correram bem. Teve de voltar para Monção. Não havia alternativa.
Nesse mesmo ano volta a tentar a sua sorte na EPMVC, conseguindo, desta vez, um lugar para seguir o curso que sempre desejou.
A partir de Setembro de 2008, 17 anos, tempo em que começou a estudar na dita escola, a sua vida deu a volta de 180º que havia muito tempo que necessitava dar. Agora tudo corria bem. Pelo menos aparentemente. Em casa as coisas nunca foram as melhores, mas ela pensa sempre que há quem nem sequer tenha uma cama limpa para dormir, e isso sossega-a, de certa forma.
Foi, também, a partir desta etapa da sua vida que a sua relação com alguns colegas da Banda em que andava na altura começou a cair a pique. Seria culpa dela? Não seria? São retóricas. A verdade é que o Verão de 2009 lhe deu para perceber que não poderia mais continuar ali. 
E assim surgiu a Banda Lanhelense na sua vida.
Desde então a sua vida ganhou outras cores. Conheceu gente extraordinária. 
Hoje em dia, a Andreia tem 19 anos e vive apaixonada pela vida. Atravessa e atravessou momentos muito complicados a nível pessoal, mas não se lhe nota. Consegue estar sempre com um sorriso estampado na cara e com uma gargalhada sonora pronta a emergir. Mas, por vezes, tem os seus momentos de fraqueza, onde lhe é impossível esconder o que lhe vai dentro. Apesar de ser forte, não é de ferro.
A maior tristeza dela é que nem toda a gente a saiba valorizar. Não suporta a ideia de ser tratada como um brinquedo. Daqueles brinquedos que só se usam quando se tem por perto mas que depois se arruma do armário e, enquanto não se voltar a ver, nem passa pela cabeça que ele existe. Mas ele está lá.
É agora uma jovem adulta com a cabeça no lugar. Sabe que tem os melhores amigos do mundo. Sabe o que quer e o que não quer. Sabe que tem a força de um vulcão dentro de si e que pode concretizar todos os seus sonhos. 
E sabes porque é que ela sabe estas coisas todas? Porque agora pode não estar a ter a vida mais fácil que desejaria, mas sabe que, um dia, foi o espermatozóide mais rápido, forte, potente e perspicaz de todo o grupo.

2 comentários:

Anónimo disse...

opah andreia tas cada vez a escrever melhor e tudo o que escreveste ali e certo e so te digo uma coisa as vezes tenho inveja de ti pela tua força interior e pela tua vontade de vencer, passamos coisas mto mas e quando eu estava na merda tu eras uma das poucas ancoras que me prendiam akela merda de vida que tinhamos apartir do desmoronamento de tudo espero que saibas k podes sempre contar cmg como eu conto contigo continua a ser quem es

Anónimo disse...

Ooh Fofinha... Tens uma força interior sem igual! Se toda a gente pensasse como tu...! Admiro-te muito por tudo aquilo que passaste e ainda sorrires todos os dias... Continua assim e a vida fará sempre sentido! Muitas vezes lembro-me de ti e de tudo o que ja passaste, e isso chega para continuar, porque tu mostras as pessoas como a vida deve ser vivida... As pequenas coisas que aos olhos dos outros nao passam de coisas insignificantes, tu valorizas... Consegues fazer com que alguem que se sinta horrivel se sinta estupendamente... =)
E eru agradeço-te por isso... Pela tua força, a tua presença, a tua honestidade e a tua amizade... Fazes de mim uma pessoa melhor princesa... Nunca deixes que ninguem te diga que nao vales nada, se isso acontecer, manda essa pessoa à fava!
Adoro-te*
Bárbara =D